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quinta-feira, 27 de maio de 2010

Declarado justo

"mas Ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados" Isaías 53:5

Hoje recebi o resultado de uma prova de soterologia (doutrina da salvação). Confesso que não fiquei contente com a nota, 8.1. Mas como sempre procurei avaliar a correção do professor e me deparei com uma resposta aparentemente correta.  Mostrei a um amigo, não adiantou. Realmente estava errada. A pergunta era "O que é imputação?". Resposta: "É o processo em que Cristo imputa ao homem justiça e méritos próprios, tornando-o justo". De cara não percebi, no entanto, a resposta era perversa. Não fosse por uma única palavra.

Diante das melhores estimativas sou sempre injusto, agindo sempre de modo mesquinho e egoísta. Não passo de um pecador que não encontra em si mesmo uma única fagulha de esperança, justiça e muito menos salvação. Quando Cristo olha para mim, sendo possuidor de toda justiça e méritos, Ele não amputa minha injustiça tornando-me justo e cheio de méritos. Cristo extraordinariamente declare-me justo.

Vivemos num tempo em que deixamos de pensar em essência para valorizar o superficial. Preferimos nos satisfazer com as aparências ao invés de nos defrontar com o que realmente vai no coração. Em Cristo podemos desfrutar de uma vida nova e restaurada. Porém, não confunda isso com méritos e justiça própria. Essencialmente somos imundos, temos um defeito de fábrica que somente será restaurado na glorificação. Cristo não nos torna justos para se tornar injusto por nós. Pensando assim, perdemos de vista a nossa essência pecaminosa, e certamente, a essência divina de Jesus.    

Na prova de soterologia com apenas uma única palavra eu inverti os pólos. Fiz dAquele que é o Justo, um como nós. Fazendo de nós as mais belas criaturas do universo diante de Deus. A obra de Cristo foi mostrar que seu amor não se limita as condições irreversíveis, Sua graça e a misericórdia rompe com qualquer condição por pior que seja. Na cruz Ele é feito pecado por nós, culpado pelas nossas transgressões, mas tendo na essência toda a justiça e santidade.

Depois disso estou pensando seriamente em mandar um e-mail para o professor e pedir um formoso e belo zero na prova. Contento-me com a promessa "minha graça te basta".

segunda-feira, 1 de março de 2010

A igreja emergente


Na minha busca por compreender como a igreja pode ser relevante nesse tempo, deparei-me com o livro de Dan Kimball, "A igreja emergente - cristianismo clássico para as novas gerações". Encontrei o livro sem querer, e confesso que estou muito feliz em ter adquirido. Primeiramente, o livro tem um diagramação totalmente diferenciada. Bem mais moderno do que estamos acostumados, além de crifos, ele acompanha comentários de outros autores como Rick Warren e Brian McLaren, seja para aprovar o que está sendo dito ou mesmo para ampliar a ideia abordada. 

Quanto ao conteúdo, que é o que realmente interessa, tem ajudado-me desmitificar alguns conceitos que eu tinha quanto ao culto pós-moderno. Logo na primeira parte o autor fala de sua frustração ao passo que desenvolvia um ministério, aos seus olhos, relevante para o jovens de sua comunidade, e que rapidamente deixou de ser apreciado pelos mesmos. Isto mostra como o conceito do culto-espetáculo é superficial e ineficaz na experiência espiritual. E que o simples fato de colocar a manifestação espiritual latente no grupo na sua forma mais simples, foi o que proporcionou um reavivamento em sua comunidade.

O fato de estar lendo o livro evidência que não posso tirar conclusões tão otimistas quanto ao conteúdo. Porém, já é o suficiente para indica-lo para alguém, que como eu, tem se interessado pelo tema a fim de contruir um conhecimento necessário para uma decisão coerente e equilibrada a fim de tornar sua igreja relevante para as novas gerações. 

Por isso, boa leitura!

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

O que é ser discípulo de Cristo?

Essa não é uma pergunta tão fácil de ser respondida. Aparentemente conseguimos até definir alguns pontos que imaginamos ser característicos de um discípulo, porém, falamos sem estarmos dentro do contexto adequado. Lendo os evangelhos, até uma certa altura do relato, percebemos momentos em que os próprios discípulos de Cristo não entendiam muito bem o que significava pegar a poeira do Mestre. Por isso, entender quem Jesus era (e É) e a sua missão, nos ajudará compreender o que significa ser discípulo.  

No evangelho de Mateus encontramos duas declarações de Pedro que expõem exatamente essas questões. Simão Pedro, num momento de revelação do Pai, declarou: " Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo". Nossa, que surpreendente isso! Essa confissão valeu a Pedro palavras de admiração de Jesus. No entanto, não bastou muito tempo para ele falar uma das maiores besteiras da humanidade. Jesus pela primeira vez revela aos discípulos sua missão de morrer e ressuscitar no terceiro dia. Mas sem pensar sequer uma vez, Pedro, reprova Jesus - isso de modo algum te acontecerá. Neste caso, acertar uma das duas questões leva-nos, como levou a Pedro, a um erro tremendo, separar o sujeito de seu predicado (propósito). 

Não é difícil encontrar em nossos dias pessoas que aparentemente falam de Jesus, cantam para Jesus, pregam sobre Jesus e que se auto-denominam discípulos de Jesus. Porém, ainda não entenderam quem é Jesus e qual a sua missão. Confesso que sou um seguidor de Cristo, e que não entendi tudo. Por isso, a partir de hoje, duas vezes por mês, vou postar um texto sobre quem é Jesus e qual a sua missão. E convido você a participar dessa caminhada para discernirmos o nosso chamado para servir esse Jesus.   

Juntamente com um texto pretendo propor uma mudança de atitude. É lógico que não espero dizer o que temos que fazer ou não. Mas, minha proposta será simples e só irá fazer sentido se você se envolver naturalmente com ela. Com isso espero compartilhar simultaneamente com você algumas experiências fantásticas. 

Espero me surpreender com vocês. Graça e paz a todos!

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Janelas da alma

Mateus 6:22 e 23 diz que nossa vida é edificada mediante aquilo que vemos, "se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso". Baseado nesse princípio quero iniciar um espaço chamado janelas da alma. Desejo  postar coisas que tenho lido, ouvido e visto. A ideia é postar todo domingo aquilo que tem iluminado meu corpo, nutrido minha vida e me aproximado de Cristo. Fico na esperança que de alguma forma isso também faça diferença na sua caminhada com o Eterno.  

Hoje começo esse espaço com um cantor que tem me dado imagens lindas do meu Jesus. Stênio Marcius é um artista sensível, capaz de cantar o evangelho com muita poesia e beleza. Vale a pena conhecer sua obra. 



quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

A inquisição dos "emergentes"

Em minha caminhada para compreender a igreja emergente, tenho encontrado algumas declarações um tanto rancorosas, revestida por uma paixão cega em destruir a igreja que materializa todas as frustrações denominacionais e eclesiológicas experimentadas na vida cristã antes de compreender mais profundamente o evangelho (se é que entendem hoje). É evidente que o reformador Martinho Lutero passou por essa experiência e dou graças a Deus por isso ter acontecido. Porém, penso que alguns se tornaram monotemáticos demonizando a religião sem apresentar propostas, muito menos, lucidez na hora de apontar questões relevantes.

O que me espanta nesse pequeno grupo é a falta de sensibilidade para enxergar o mistério do evangelho se revelando na vida deles quando ainda eram "crentes". Deus em sua infinita misericórdia trabalhava em nossas vidas mesmo quando ainda estávamos cercados pelas trevas. Pergunto-me se essa não deveria ser a nossa compreensão como filhos da luz resgatados por Cristo. Se assim não fosse, não estaríamos aqui sendo chamados filhos de Deus. Dessa forma, quando cuspimos no prato que comíamos, estamos simplesmente cuspindo na face de Deus.

A palavra de Deus nos diz que "a vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito" (Prov. 4:18). Recuso-me a pensar que o dia perfeito resplandeceu para alguém. Porque quando isso acontecer, infelizmente, deixaremos de ser discípulos e nos tornaremos auto-suficientes. Ciente de nossas limitações, carecemos da graça de Deus, assim como os incrédulos, os "crentes", os blasfemos, os orgulhosos e toda espécie de ser humano.

Como instrumentos do Eterno, temos que ser sábios para estabelecer um diálogo sem declarações ufanistas e dogmáticas. O caminho da graça não seria da graça se no decorrer do percurso empurrássemos uns aos outros em direção ao abismo. Neste caso, estaríamos nos tornando tudo aquilo que rejeitamos e condenamos, sem ao menos perceber que estamos mais para filhos das trevas do que das luz.

Por isso, eu peço! Apaguem as fogueiras. Essa foi à era das trevas e não da luz.



segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Entender para transformar

No meu tempo de escola quando ouvia falar sobre paradigmas que vem e vão, ficava imaginando como isso acontecia na perspectiva da pessoa, do indivíduo, e não da história. minha curiosidade se detinha em como essa mudança se dava no ser individualmente. Como ele sentia essas transformações no seu cotidiano, nos seus relacionamentos, nos seus negócios, na sua filosofia de vida, e, porque não, na sua espiritualidade.

A verdade é que essas transformações estão ocorrendo hoje em nosso tempo. E todas essas mudanças são verificáveis por qualquer um. A música que a sua filha ouve, as roupas que seu vizinho usa, os lugares que seu colega de trabalho tem frequentado, as opiniões de seu neto, tudo está diferente (em relação ao paradigma superado). Dependendo da onde você nasceu e de como foi educado, o que está acontecendo, na sua opinião, é o fim do mundo.

Não sei se veremos o fim do mundo nesta década, mas, sei que nossa missão como igreja (que somos nós)neste tempo, precisa reencontrar sua relevância perdida para essa geração emergente. Não adiantará vivermos como se nada tivesse mudado, esperando as pessoas se interessarem pelo evangelho assim como ele é apresentado hoje. A missão da igreja é "ide": caminhar junto, dialogar, entender as mazelas desta geração e apresentar o evangelho do reino de Deus.

Confesso que fui por um tempo relutante a essa proposta. ainda estava preso a minha cosmovisão, aprisionado a maneira que me foi apresentado e ensinado o que significa pregar o evangelho. não sei quanto a você, porém, eu não quero ver uma geração crescer sem conhecer o Deus de todas as gerações. Quero ser um instrumento usado por Deus para servi-lo como fez Davi em sua geração (atos 13:36).

Tenho convicções inabaláveis. Minha proposta não é outro evangelho, outro corpo doutrinário, outra denominação, e muito menos outro Cristo. Desejo um evangelho relevante para esse mundo ser restaurado a imagem de Deus. Longe do relativismo, do existencialismo, da maneira dissoluta de viver conforme a carne. Quero viver em espírito e em espírito e verdade. Quero ser uma luz ao mundo em trevas.

Quero caminhar junto com você no caminho da graça.